ENTREVISTHA #2: CIMPLES

Primeiramente, gostaríamos de agradecer ao Cimples a atenção dada a Revistha!

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CIMPLES
Curitiba – PR

Revistha: Qual seu vulgo e crew?
Cimples: Existem vários nomes e algumas crew, mencioná-las seria um desprazer e não ofuscaria a história do graffiti em Curitiba.
Desde o princípio, essa ideia de anonimato e de não responder por aquilo que estão nas ruas da cidade me satisfaz.
Somos seres históricos e estamos aplicando uma nova camada no campo das ciências sociais. Ter um nome não quer dizer nada em nossa sociedade contemporânea, acho mais importante é ter uma luta e fazer algo em pro daquilo que acreditamos.
Vale lembrar que independente de mercado, dinheiro, e status, fama ou algo desses gêneros, sei que cada um tem sua história e suas lutas, sejam pessoais ou individuais, mas isso é algo inerente ao viver. “Todos temos uma cruz para carregar”, citando uma frase de minha mãe. Acho que o dinheiro não justifica, nem o status e nem morrer de fome.

R: Quando começou e o que te motivou? Conte um pouco de sua trajetória;
C: Já tem um bom tempo que esta atividade que pertence ao individuo impregnou em nosso inconsciente, sei que as letras estampas nas paredes aparentes da cidade é algo emocionante de ver e mexe com o senso de cada individuo. É por isso que incomoda, e os outros também! Os anos 90 para cá muita coisa já foram feitas e aprovadas, ainda falta muita coisa para acontecer. A policia as vezes incomoda, outras incomoda a sociedade e tudo continua como antes e as vezes diferente. Essa ideia de estar sujando a cidade e ao mesmo tempo colocando parte do individuo nela é super legal e faz bem para cada um que pinta. Satisfaz um desejo humano e inerente a nos que estamos ativos e vivendo daquilo que acredita. O tempo passa e cada vez mais existe reflexão ao meu redor, isso faz bem para todos e não podemos esquecer. Não refletir é algo que pode travar muita coisa e ocorrer alguns equívocos. Em outro pensamento: podem ocorrer uma guerra civel em um futuro distante.

R:Quais foram suas dificuldades para se manter até hoje em atividade?
C: As dificuldade surgem a cada instantes e temos que estar sempre com um olho aberto e outro fechado, se não para a cabeça. E por incrível que parece a dificuldade maior é lidar com o próprio meio ao qual estamos inseridos, seja social ou de grupo. A sintonia as vezes acontece e outras desmerece. Sempre de devagar e rápido, muita estrategia e nunca ir direto ao objetivo, pois temos que ter certeza do que estamos fazendo. Muita diversidade de suportes e sempre procurando fazer o que mais importa, ir com certeza naquilo que almeja, olhar para todos os lados e tentar sentir o momento. As parecerias são bem importantes também, sempre com um olhar de gato e um faro de um cachorro e caminhar como os ratos; esse é o lema. Neste momento atual esta bem difícil sair e desenhar nas paredes, os sentidos são outros e a busca por novas maneiras e jeito é profícuo.

R: O quê o graffiti te trouxe de bom e ruim?
C: Sempre estar atento aos interesses alheios e nunca cair no jogo dos outros. O jogo quem faz é você, não existe normas e nem regras para quem está nessa atividade e colocar parâmetros pode gerar graves consequências. Avaliar uma situação é muito delicado e não podemos deixar esquecer que o mais legal disso tudo é vivenciar aquilo que esta disposto a fazer e viver, sem se preocupar com resultados, viver é mais importe agora. Ônus da prova pode ser constrangedor e nada que não tenha concerto, tudo se torna importante na hora da ação. Temos apenas que comemorar a cada rolê. Independente do resultado.

R: Atualmente existem muitos aparatos para o graffiti, facilmente encontrados em lojas, você acha que isso contribuiu para o aumento de pessoas fazendo rolês? Isso é bom ou ruim?
C: Nosso, se nos deixar levar por todos aparatos vamos esquecer de desenhar ou ter seu proprio estilo, hoje o graffiti já vem pré-fabricado, isso as vezes se tornar tudo muito monótono e não existir descanso para nossos olhos, nos deixa um pouco enjoado. A criatividade nesse momento é mais importante que os aparatos, não podemos nos deixar levar por interesse alheios e de mercado. Pessoas e mercado são coisas que são equivalentes  ou seja, mercado e pessoa são as mesmas coisas, quanto mais pessoa indo para role melhor para o mercado e isso é inevitável, por isso temos que pensar na criatividade e não deixar o mercado dominar algo indominável  a criatividade. Não podemos esquecer que somos brasileiros e temos grandes heranças culturais forticissimas, não podemos estar cego por um mural pintado. Tem algo de deslumbramento também nisso tudo…

R: Em sua opinião, o que você acha que mudou na cena da rua? Ficou mais sério, por que todo mundo sabe, ultimamente tem tido um “BOOM”, de pixadores novos e grafiteiros, você acha isso bom? A molecada que começa hoje está começando do jeito certo?
C: Ishi, por outro lado esta maravilhoso, o látex, o extintor, são algo que faz a diferença. Existem outros vértices, outras faces e outros tempos. A cena muda a cada retrato feito, a cada dia, a cada filme lançado na net. Só não muda o embasamento, o conhecimento sobre o assunto. Há uma grande maioria que não estão acompanhando a sociedade e estão sendo engolido por ela. Repensar nossas ações é super importante e ter um pouca mais de audácia nas formalizações, não repetir formulas antigas e ultrapassadas. Tudo passa pelo desenho, independente da estética. Temos muito que aprender ainda, tudo me parece um tanto primitivo (isso pode ser um elogio também). Por um lado, temos uma grande produção de desenhos bem elaborados que tem relação com a publicidade e do outro lado vários garranchos… ainda prefiro garrancho, faz mais sentido na sociedade ignorante que vivemos (entenda como ignorante os seres que legisla). Lapidar uma forma dada pelo mundo é muito conveniente.

R: Atualmente, quando flagrado pela polícia, o graffiti sem autorização tem como consequência multa e processo. Como era no seu tempo?
C: Bah, já entramos nessa atividade já com as calças na mão. Quem faz distinção é a sociedade e não nós que estamos na rua arriscando o nosso coração juvenil. Temos arriscar com todos os nossos riscos. O Crime chegou para matar e nós não estamos salvos. Quem julga não somos nos e sim os advogados e as vezes alguns bode espiatório que quer aparecer na televisão. Por isso que gosto do anonimato, não tem como julgar alguém que não sabemos quem é. Esconder por de traz de vários nomes é uma medida nada sócio educativa, mas vale a pena. Morrer faz parte do viver e estamos aqui e vamos ficar, não? Quem julga que mande a primeira pedra. Ainda sou a favor da inocência.  Fazer algo no passado que as pessoas não tinha consciência do que era foi muito bom. Hoje não tem mais inocência, hoje temos lojas para tudo o que lado. Podemos ser uns desconhecidos e não estamos livre do julgamento. Viver pode ter agravamento também.

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R: Em relação a pixação, existe um mito entre a rixa com o graffiti ou essa rixa existe de verdade? Qual sua opinião sobre isso?
C: Existem tantas rixas. Vamos combinar e colocar todas nossas ações no mesmo saco. Apertamos a pontinha do biquinho de aerosol, isso é uma grande coisa. Temos que abstrair todos esses elementos do graffiti e sair para rua pintar e ser unido e sempre estar disposto a colaborar com o outro, independente do assunto. A estampa na cidade pertence a todos que fazem, não apenas a um individuo, ou seja, o muro esta aí para ser pintado, pintado de novo, tudo junto e misturado… todos somos um, cada um faz parte do outro. Sobrepor é legal também, rabiscar, jogar um pouco de tinta e ter algo diferente de tudo que já foi feito.

R: O que você acha do graffiti relacionado com o corpo da mulher, com propagandas de meninas semi-nuas, isso leva o graffiti pra outro caminho, ou no mercado vale tudo?
C: Há há há, as varias peles. Tudo começa na pele do papel, pele da cidade, pele da publicidade, pele da camiseta, pele do trem, pele do caminhão e tal & tals. A grande feira da superficialidade das coisas do universo. Essa historia é longa, teríamos que estudar o graffiti no México e tals, ali vamos encontrar o berço de muitas coisas relacionada a esses assuntos. Tem um filme muito loco e vale a pena ver, Livro de Cabeceira. La encontrei algumas resposta relacionada. A beleza do graffiti aliada a beleza do corpo da mulher. Mas antes desse gênero, temos a tatuagem. Esse assunto é bem loco mano… mas vejo pouco sentido. Qual é a diferença de pintar um caminhão ou o corpo de uma menina? Pintar um papel? Graffiti é na pele da cidade ou graffiti é no papel? Acho que responder essas perguntas podem ter algo relacionado com minhas respostas. Acho que sou antiquado ou estou desatento o que é cool…rs..

R: Recentemente você lançou uma revista sobre os rolês de Curitiba, pode nos contar mais sobre isso e como podemos encontrá-la?
C: Varios anos se passaram e ainda existe essa possibilidade de ter algo impresso. Tudo começou na segunda metade do anos 90, 15 anos atras, essa ideia de difundir uma atividade era algo atraente e por esse motivo ela existe até hoje, sobreviveu de alguma forma a internet. No começo do graffiti na cidade a molecada tinha a mania de trocar correspondência pelos correios e nelas iam fotografias impressa e isso é muito legal. Acho que a revista serve para isso, tem as fotinhas da molecada se concentrada em papel. Ah, para conseguir a revista, basta mandar um e-mail para lixocontinuo@gmail.com e já era, mando para qualquer lugar do brasil.

R: Qual motivação você pode passar para quem está começando?
C: Primeiramente fiquei muito contente em responder tais perguntas e desculpe as respostas.

Incentivar é pintar na rua, a cada graffiti foda na rua é uma motivação para nós. Gostamos de ver algo realmente foda, isso nos motiva a fazer cada vez mais. Temos que esquecer um monte de coisas para nos manter motivados e só pensar em fazer algo significativo para nos mesmos. Superar a ti e a todos, esse é o lema e o norte. C não for assim temos que nos manter na humildade e pintar até C aposentar, mesmo que seja algo insignificante. O tempo ainda é uma incógnita e vamos supera-lo e deixar as mãos fluírem aos pensamentos aliado ao braço. Só assim vamos ter prazer e nos relacionar com os vários suportes. Vamos fazer amizades e detonar toda a cidade sem distinção e preconceito e nem apego, vamos compartilhar nossas tintas… depois vamos pra lua…ehnozjah!

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